Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

AVIADORES DE PORTUGAL

(f)Sacadura (4).png

Clic aqui, saiba quem foi:  

Artur de Sacadura Freire Cabral

Manuel Viegas Gago Coutinho

Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. 1922.

Cinco anos antes do Charles Lindberg atravessar aquela minúscula nesga de mar da Terra Nova à Irlanda com o apoio de barcos ao longo de todo o percurso. 

Vejam-se as monumentais diferenças de meios e distâncias entre as duas travessias, atente-se no reconhecimento universal dispensado a cada um dos casos.

Se você acredita que os Irmãos Wrigth e o Charles Lindberg foram os maiores na aviação dos velhos tempos, fique sabendo que mesmo dentro da aronáutica há muita gente que também pensa assim. Pois. Mas tem muito que se lhe diga.

Já lemos livros sobre a Guerra do Ultramar Português, de 1961 a 1974, de gente de grande penacho, que nunca saiu do gabinete climatizado na cidade, nem fazia a menor ideia de onde a guerra acontecia.  As coisas são assim.

Há séculos que anda gente a chegar ao cume sem perna para passar do sopé.

Alberto Santos Dumont

(Santos Dumont era brasileiro. Aqui se pode ver até onde a mentira pode chegar).

Leia se tiver pachorra para isso:

(F)Beires.jpg

José Manuel Sarmento Beires 

Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul - 1927. 

Aniceto Carvalho

CURTIS HELDIVER - SB2C-5

(11)Capa4 (2).jpg

 CURTIS HELDIVER - SB2C-5 

O avião dos meus verdes anos. Aprender a trabalhar e voar neste extaordinário  avião aos dezoito, aos dezanove, aos vinte e aos vinte e um anos... "Vale mais experimentá-lo que julgá-lo mas julgue-o quem não puder experimentálo".

Aniceto Carvalho

AS FALÉSIAS BRANCAS DE DOVER

THE WHITE CLIFFS OF DOVER

Porque ainda hoje é uma superior canção, sobretudo pelo que representa na velha Albion, (em contraste com o esquecimento e despreso  com que a ilustre classe política deste Portugal têm votado aos seus combatentes), porque a Vera Lynn foi considerada uma das vozes mais bem timbradas de todos os tempos nas  Ilhas Britânicas, porque foi uma estrela da minha juventude.

Aniceto Carvalho

CLUBES DA BASE AÉREA 6

CLUBES DA BASE AÉREA 6
Nunca em lugar algum onde vivam pessoas as obras ficam terminadas.
Desde sempre: Chaves na mão, trinta anos depois lá anda o velho morador a mudar de lava-loiça, a substituir os azulejos da casa de banho.
Seja uma quinta, uma povoação, uma modesta moradia.
Embora totalmente operacional na altura, em finais de Dezembro de 1953 o Centro de Aviação Naval Sacadura Cabral, a futura Base Aérea 6, estava nos acabamentos: Faltava terminar a construção de um edifício gémeo e simétrico ao inicial, refeitório, cozinha e sala de estar das praças da jovem unidade do Mar da Palha.
Foi o que encontrámos à chegada, foi o que estreámos com pompa e circunstância algum tempo depois como “propriedade” dos cabos especialistas: No primeiro andar um amplo espaço de esmerado asseio com mesas de mármore; no rés-do-chão um salão igual ao do piso superior, à espera de iniciativa, trabalho, criatividade e mãozinhas, o futuro clube dos cabos especialistas da Base Aérea 6.
Chegava gente vinda dos Açores, alguns mais antigos já conheciam, o modelo para o clube dos especialistas da Base Aérea 6 passou a ser o clube dos especialistas da Base Aérea 4… na verdade, com algum excesso de entusiasmo e presunção, o clube dos aviadores americanos na Base das Lages.
No fim, pelo que se viu depois, luxos americanos e nada mais.
Nós fizemos o melhor que sabíamos. Elegemos a direcção, a quotização passou a ser oficial e obrigatoriamente descontada no fim do mês, não foi muito difícil resolver as reticências dos marujos em frequentarem ou não o mesmo espaço de lazer dos especialistas: Quotizavam-se ou não, era com eles. Uns aderiram outros não, o Ferrer achou a ideia razoável, o clube abriu algum tempo depois.
Um amplo salão, discretamente mobilado com o que havia, mesas, cadeiras, dois ou três maples, o som extraordinário de um rádio de salão da época, um local de salutar convívio, um retiro de gente simples e educada…
O resto veio depois, pouco a pouco: A seguir com um pequeno bar no exterior logo à entrada, de reduzido interesse e curta duração, depois substituído por um bazar, muito mais útil para o clube e para os utentes; como melhor bem estar, no entanto, exigia melhoramentos, com a instalação de uma divisória destinada ao recato da televisão, embora longe das “americanices do início”, até ao fim de 1960 as condições de conforto do Clube de Especialistas da Base Aérea 6 eram do melhor
Unidade jovem, juventude e generosidade, toda a gente queria aproveitar o que tinha à mão: A dois passos, meio escondido entre as acácias, debruçado de perto no Mar da Palha, o clube de sargentos estava em ebulição.
E o Zé Bragança, claro, à frente das hostes.
Entrei na classe de sargentos uns anos depois.
O clube de sargentos não ganhava nem perdia ao dos especialistas.
Num edifício mais sóbrio, mais de acordo com a respectiva categoria, funcionava uma esmerada messe no rés-do-chão, um soberbo bar ao cimo da escada, de onde se entrava no clube: Um amplo salão onde se descontraía, se jogava às cartas ou descansava no sessego de um gabinete, onde de uma pequena mas bem apetrechada biblioteca se podia ler o Aquilino Ribeiro ou o Ferreira de Castro.

NOTA IMPORTANTE: Estávamos nos anos 50 do Século XX
Aniceto Carvalho

EU ESTAVA LÁ

Capacetes? Nunca foram usados. Apenas no primeiro Alouette II, em 1957, na Base Aérea 6, logo posto de parte por muito incómodo. Aqui terá sido para a fotografia. Na Esquadra 94, no meu tempo, até ao fim da minha primeira comissão, e depois, pelo menos até 1970, nunca ninguém usou capacete nos helicópteros.

Era brutalmente incómodo, ninguém queria usar aquilo.

Do meu tempo, talvez um ou dois anos antes, reconheço daqui o Teixeira, atrás do narrador, o Rego de Sousa, à direita daquele, e o Manuel Catalão, a seguir.

Isto terá sido em 1966, ou depois. O capitão Alves Pereira, que tinha assumido o comando da Esquadra 94 em 64, pelos vistos já não era ele o comandante. 

Aniceto Carvalho

CURIOSIDADES ANTIGAS

(ag)Fuga Magister.jpg

CURIOSIDADES ANTIGAS
Este avião fez a sua demonstração em público no Aeroporto de Lisboa em 1958.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fouga_Magister

Eu estive lá, acho que com o Assunção. A mostrar as habilidades do Alouette II, também este aparelho um produto da indústria aeronáutica francesa.

A estrela da companhia era o Pierre Clostermann antigo piloto da RAF, (O bem conhecido piloto da RAF sem pernas), que tinha escrito uns livros sobre a RAF na Segunda Guerra mUNDIAL bastante lidos na altura.

Saiba quem foi  Pierre Clostermann

Aniceto Carvalho

A CRISTA E O PENACHO

A CRISTA E O PENACHO

Para quem sabe um pouco destas coisas, gosta de saber ou se interessa:

Recomendo na RTP 2 - 27/01/2019 - "Vamos à descoberta" - segunda parte.

Constatei que em 40 anos retirado da aviação militar e comercial o que mais tem mudado e  evoluído tem sido a crista, o penacho e a conversa fiada.

Aniceto Carvalho

EU NÃO SOU DE CÁ

O grande DC-6 dos Transportes Aéreos Militares da Força Aérea Portuguesa.

Catorze anos de ponte aérea a transportar militares e famílias de militares a milhares de quilómetros e horas sobre o Atlântico, noite e dia, sem um acidente. 


Não sou de cá, acho que fui encontrado atrás de uma moita entre Vale do Forno e a Boiça. “Não sou de cá” é a melhor razão que me explica porque eu não sou capaz de compreender muito do que se passa cá na terra:
Eu não consigo perceber que, de extraordinários feitos num passado ainda não muito distante, hoje, cinquenta anos depois, com incalculáveis mais meios, técnicos e humanos, nada funcione, tudo emperre, nada mais reste que greves, manifestações e incompetência para tirar uma simples pedra do caminho. Eu não sou de cá.
Num país onde nos meados do Século XX o inicio das aulas, os exames e a afixação dos respectivos resultados eram exactamente na mesma hora e no mesmo dia em todo o mundo português de então, só muito difícil e longinquamente alguém conseguirá imaginar o que seriam e como funcionariam hoje os Transportes Aéreos Militares numa situação semelhante à dos catorze anos da Guerra do Ultramar.
Aniceto Carvalho

Esquadra 94 - Luanda

 

(FAP64)BA)c.jpg

Não me recordo disto.  Mas nesta altura eu estava de certeza na Esquadra 94. Se o comandante da esquadra, o capitão Queiroz, ao tempo o meu chefe de sete anos de helicópteros desde 1957, ainda lá estava, eu não devia andar por muito longe. Isto terá sido em meados de 1964. Eu acabei a comissão em Novembro, o capitão Queiroz três meses antes. Devia estar de férias, por certo na manutenção. Reconheço o Varedas, o segundo da esquerda, que morreu num acidente no ano seguinte, e o capitãp Queiroz do lado direito do Presidente da República.    

 Aniceto Carvalho

Velhos contos

(FAP65)Negagr65 (4).jpg

Em Angola, Negage, 1965, no Aeródromo Base 3. Em plena Guerra do Ultramar, no centro da zona de conflito. Só aviões do mesmo tipo numa unidade de segunda categoria.  

Aniceto Carvalho

Aeródromo Base 3

Clic e veja: - Aeródromo Base Nº. 3

Inauguraça~de uma unidade da Força Aérea Portuguesa em 1962.

Em Angola, Negage, no coração da zona de conflito, na sua maior intensidade.

Vejam: Uma unidade de categoria inferior a Base Aérea: O Aeródromo Base Nº 3.

Vejam, tirem ilacçõe... Mas não comparem o que não é comparável. 

Aniceto Carvalho

O Retrato de uma època

(AG)P47D5.jpg

O RETRATO DE UMA ÉPOCA

Como se pode ver, esta parelha de aviões não é portuguesa.

De qualquer maneira, é o retrato de uma época, em meados dos anos 50 do Século XX, quando a Força Aérea Portuguesa tinha mais aviões só deste tipo do que tem hoje de todas as marcas. 

Aniceto Carvalho

Nacala 1968

  (68)ab506.jpg

Nacala, Moçambique, 1968. O meu filho com um soldado da Polícia Aérea

Uma esquadrilha de Canberras, julgo rodezianos, de visita ao Aeródromo Base 5

(68)ab548 (3).jpg

Nacala, Moçambique, 1968, da esquerda para a direita: O Lourenço, o Espinheira, o Coelho,

(no alto, a trabalhar), o Domingos, eu, o Aniceto, e o Rodrigues. 

Alguns elementos  da melhor equipa de trabalho que encontrei em toda a vida.

Aniceto Carvalho

Cozinhas de Nacala

(68)ab502.jpg

"Uma imagem vale por mil palavras"... Não é o que se diz por aí?

Pois vejam. Alguém faz alguma ideia do que isto seja? Pois não... mas eu vou explicar:

Isto é a cozinha do Aeródromo Base 5 em Nacala, Moçambique, em princípios de 1967, quando lá cheguei. Os "luxuosos alojamentos" de sargentos eram um barracão de 200 metros quadrados de camas ao lado umas das outras, e... mais nada. Higiene, banho, etc. era na rua...

E o então chamado banho macua, era com um balde de água pela cabeça abaixo.

A água até então encontrada na unidade era tão salobra que nem para o banho dava... A potável era transportadas em tambores de uma nascente na Praia dos Tesos.

Mulheres na tropa, não é?... Eu querie ver... 

E mais umas coisitas...  quando calhar,

Aniceto Carvalho 

46 anos depois

2014musar7 (1).JPG

Em 2014.  Gente do Alouette III, Nacala, Moçambique, de 1968, 46 anos depois.

Em frente, um dos pilotos da esquadra, o alferes Pinto. Os restantes aqui presentes, são alguns dos então jovens de vinte e poucos anos que na altura tinham de me aturar. 

GENTE DO MELHOR QUE ENCONTREI NA VIDA. 

Aniceto Carvalho

Preito a um aviador

(FAP64)Rui Jofre.jpg

Rui Jofre Soares Dias Ferreira

Piloto Aviador da Força Aérea

(Preito de Elsa Dias Ferreira à  memória do seu pai).

Nasceu, a 21 de Junho de 1942, em São Lourenço, Portalegre, onde passou a infância. Aos 18 anos ingressou na Força Aérea Portuguesa onde completou o curso elementar de pilotagem, em Aveiro, passou por Sintra e foi colocado na BA3, de Tancos, em Maio de 1962.

Em 1964, foi destacado para Angola, com a patente de Furriel.

Em Luanda, na Base Aérea 9 pilotou uns aviões bombardeiros bimotores que, afirmava, "tossiam por todos os lados", os PV-2. Também lá tirou o curso de helicópteros e foi um dos pioneiros do Curso de Pára-quedismo Civil, o primeiro curso em território português, em 1965, chegando mesmo a ser o vencedor do 1º. Torneio de Pára-quedismo desportivo em Angola.

Durante a guerra, era dos pouco que arriscava voar à noite para evacuar os feridos na mata, o que o fez salvar algumas vidas. Uma vez, vários anos após a guerra, enquanto passeava nas ruas de Lisboa, um homem aproximou-se dele e abraçou-o, mas ao perceber o desconforto o homem disse: então não se lembra de mim? Você salvou-me a vida em Angola.

De volta a Tancos, em 1967 leu num panfleto que a banda filarmónica de Portalegre ia actuar numa festa nas Limeiras e decidiu ir lá matar saudades. Nesse dia em que actuava também a acordeonista de Constância Tina Pereira e ali se conheceram.

Casaram, na Igreja Matriz de Constância, a 27 de Julho de 1968.

Regressou a Angola mas, em 1970, estava em Portugal para o nascimento da primeira filha, Elsa Dias Ferreira. Tendo regressado a Angola, com a família, de seguida.

Em 1974, foi promovido a oficial. Devido a vários actos de coragem  foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª.  Classe pelo General Spí­nola.

Nesse mesmo ano, deu-se a revolução do 25 de Abril.

No dia em que fazia 32 anos, nasceu, em Tomar, a segunda filha, Sara Dias Ferreira.
Em 1975, fundou o Clube Estrela Verde de Constância, sendo seu dirigente durante 10 anos.

E foi um dos fundadores do esquadrão acrobático de helicópteros, Alouette 3, "Rotores de Portugal". Começaram com apenas dois helicópteros, Al3, e em 93/94 passam a ter três.

Em 1983, na época de verão, ano em que combatia incêndios na Sertã, salvou diversos bombeiros, incluindo o comandante, ao resgatá-los, com o helicóptero do meio das chamas.

Por esse feito recebeu uma alta condecoração, a Medalha de Ouro por Serviços Distintos, pela Liga dos Bombeiros Portugueses.

Em 1984, ao fim de 26 anos de serviço em que desempenhou funções como Comandante de Esquadra, Oficial de Operações de Esquadra e Oficial de Operaações de Grupo Operacional, entrou na reserva territorial, mas continuou a pilotar helicópteros no combate a incêndios. Emigrou depois para Angola onde desempenhou funções como Piloto Chefe na Diamang, Director de Instrução da Forçaa Aérea Angolana, Director de Operações de Voo na Acro-norte.

Nos anos 90 integrou um livro da Câmara Municipal de Constância de poetas populares.

Em 1993 entrou na Universidade Internacional de Abrantes para tirar o curso de gestão. Faleceu a 21 Abril de 1999, com 56 anos, num acidente de aviaação em S. João da Madeira.

Está enterrado no cemitério de Portalegre, terra que o viu nascer.

(Elsa Jofre Ferreira)