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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

FIAT G-91

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FIAT G-91

Texto de João Carlos Sousa Silva

Com os símbolos da especialidade a brilhar nos ombros, cheguei à Base Aérea 6, Montijo, em Março de 1980. Para trás tinham ficado a recruta 2/79 e o curso de Especialista mecânico de material aéreo na BA2, Ota. Fui colocado na Esquadra 301 Jaguares que operava os Fiat G-91 R/4, R/3 e T/3 e onde estive até 30 de Março de 1982, primeiro na manutenção e depois na linha da frente. Nesse período, fiz parte do primeiro destacamento de 3 meses à Base Aérea 4, Lajes, Terceira, Açores, em Agosto de 1980, pois foi decidido que alguns R/4 aí fossem colocados na que veio a ser, em Janeiro de 1981, a Esquadra 303 Tigres.
Os Fiat G-91 R/4 da Força Aérea Portuguesa foram os únicos no mundo que serviram em teatro de guerra e estes, e os modelos R/3 e T/3 que chegaram apenas a partir de 1976, operaram nas seguintes esquadras e bases aéreas (da esquerda para direita e de cima para baixo):
Fiat G-91 R/4 - Esquadra 121 Tigres, BA12 Bissalanca, Guiné; Esquadra 502 Jaguares, AB5 Nacala, Moçambique; Esquadra 702 Escorpiões , AB7 Tete, Moçambique; Alguns dos que estavam a sair de Moçambique, tiveram ainda uma breve passagem em final de 1974/início de 1975 pela Esquadra 93 Magníficos, BA9 Luanda, Angola;
Fiat G-91 R/4, R/3 e T/3 - Esquadra 301 Jaguares, BA6 Montijo;
Fiat G-91 R/4 e T/3 Esquadra 303 Tigres, BA4 Lajes, Terceira, Açores
Com um enorme historial na Força Aérea Portuguesa, o Fiat G-91 operou de 1966 até 1993 num total de 75.000 horas de voo.

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João Carlos Sousa Silva

Sobre helicópteros

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A propósito de helicópteros
A propósito de helicópteros a fazerem acrobacia, e outras "internetices" que de vez em quando aparecem por aí, que fique esclarecido: Um rotor principal de um helicóptero é muito mais do que uma ventoinha feita de camisas de espigas de milho a girar num canoilo. Nem pouco mais ou menos.

Clic e veja: - Aviação Portuguesa 

Aniceto Carvalho

Pessoas muito importantes

PESSOAS MUITO IMPORTANTES

A aviação é um ramo de actividade em que toda a gente é muito importante: Pilotos, controladores, secretárias, assistentes, varredores, etc. e tal, até uma coisa chamada GROUNDFORCE" que ninguém sabe muito bem para que serve... o único profissional do ramo que não faz falta nenhuma na aviação é o que faz com que os aviões voem para todos os outros lá irem buscar o ordenado ao fim do mês.

NOTA SOBRE O TEXTO

Estava a ver um filme que abordava uma profissão do ramo da aviação que, sabe-se lá porquê, parece gostar muito de andar ao cólinho. Saiu isto.

Este texto  foi escrito por um mecânico de avião, eu próprio, o tal “único profissional do ramo que faz com que os aviões voem para que todos os outros comam".

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Aniceto Carvalho

Um curso especial - 1954

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A VOZ DE UMA GERAÇÃO
18 anos de vida militar, dos 17 aos 35.
Voluntário, mecânico de avião e militar de carreira... um militar diferente, ainda assim militar. Assumido sem quaisquer reservas... até na Guerra do Ultramar: Se era militar profissional era para quando mais precisavam de mim, não era só para o regabofe e para mostrar a farda.
Não me fez diferença nenhuma. Muito pelo contrário.
Sou do tempo da 2ª. Guerra, das bichas para o pão e para o açúcar, aos 17 anos tinha vivido uma vida de dificuldades, trabalhava desde os primeiros passos, cinco anos dos 17 a 250 quilómetros das saias da mãe.
64 anos depois dos 17 anos olho para trás... não tenho encontrado por aí muita gente de mais sólidos princípios e melhor formação.
Aniceto Carvalho</p

PREITO A UMA GERAÇÃO

PREITO A UMA GERAÇÃO 

25º. almoço de confraternização do Curso de Mecânicos de Avião de Força Aérea Portuguesa de 1952 a 1953.  Setúbal, 04 de Maio de 2019.  (Página em construção).

Nesta foto: Mário Pina, Aniceto Carvalho, Avelino Silva, Francisco Garcês, José Duarte.

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Começámos a gatinhar, dois ou três a dar os primeiros passos, aos primeiros tiros da Cuerra Civil Espanhola, estivemos nas bichas do pão e do açucar durante a escola no tempo da Segunda Guerra Mundial, aos doze anos estávamos a trabalhar no duro e sério a centenas de quilómetros das saias da mãe, cinco anos mais tarde éramos alunos mecânicos de avião da então Aeronáutica Militar, depois Força Aérea Portuguesa.
Fomos apurados 110 na inspecção na Escola Militar de Aeronáutica, na Granja do Marquês, em Sintra, um ano depois, após a recruta na Base Aérea 3, em Tancos, do regresso à Granja do Marquês e o final do curso propriamente dito, dos 53 aprovados acabávamos de chegar 49 ao então Centro de Avição Naval Sacadura Cabral, mais tarde Base Aérea 6.

Depois foram sete anos, (oito, com o ano de curso), de convívio diário lado a lado, de aprendizagem, de camaradagem, de crescimento, de luta de dentes cerrados, de um por todos e todos por um... a seguir catorze anos de Guerra do Ultramar.

Clic aqui e veja: - Aviação Portuguesa

Foi quando os americanos tinham de fazer aviões cada vez mais simples por não terem pessoal à altura para sustentar  a manutenção que as antigas  máquinas requeriam, e nós fazíamos milagres em aparelhos com mais de vinte anos de operação.  

(A continuar)

Estivémos cinco neste encontro, não sei se resta mais algum. ´É a vida.

Aniceto Carvalho

COISAS DO ZÉ BALAS

COISAS DO ZÉ BALAS

Clic aqui e veja: - Coisas do Zé Balas

Em memória de José Vicente da Fonseca Augusto, (Zé Balas para os amigos), um amigo e camarada de curso e de Força Aérea Portuguesa desde que nos vimos pela primeira vez e nos conhecemos em 1952 até ao seu falecimento em 2005. 

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Aniceto Carvalho

PACIFICADOR

PACIFICADOR

Clic e veja: - Convair B-36 (Peacemaker)

 

Esta interessante aeronave figura aqui apenas como curiosidade. Era um avião estratégico, no âmbito da Guerra Fria, sem interesse na Força Aérea Portuguesa. 

Entre outras características: Dez motores, seis de pistão, quatro de jacto. 

Embora avião militar, da época da Guerra Fria, até pelo nome que lhe foi atribúido, foi uma obra prima da indústria aeronáutica dos meados do Século XX. 

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Aniceto Carvalho

AVIADORES DE PORTUGAL

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Clic aqui, saiba quem foi:  

Artur de Sacadura Freire Cabral

Manuel Viegas Gago Coutinho

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Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul

Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. 1922.

Cinco anos antes do Charles Lindberg atravessar aquela minúscula nesga de mar da Terra Nova à Irlanda com o apoio de barcos ao longo de todo o percurso. 

Vejam-se as monumentais diferenças de meios e distâncias entre as duas travessias, atente-se no reconhecimento universal dispensado a cada um dos casos.

Se você acredita que os Irmãos Wrigth e o Charles Lindberg foram os maiores na aviação dos velhos tempos, fique sabendo que mesmo dentro da aronáutica há muita gente que também pensa assim. Pois. Mas tem muito que se lhe diga.

Já lemos livros sobre a Guerra do Ultramar Português, de 1961 a 1974, de gente de grande penacho, que nunca saiu do gabinete climatizado na cidade, nem fazia a menor ideia de onde a guerra acontecia.  As coisas são assim.

Há séculos que anda gente a chegar ao cume sem perna para passar do sopé.

Alberto Santos Dumont

(Santos Dumont era brasileiro. Aqui se pode ver até onde a mentira pode chegar).

Leia se tiver pachorra para isso:

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José Manuel Sarmento Beires 

Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul(1)

Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul(2)

Aniceto Carvalho

CURTIS HELDIVER - SB2C-5

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 CURTIS HELDIVER - SB2C-5 

O avião dos meus verdes anos. Aprender a trabalhar e voar neste extaordinário  avião aos dezoito, aos dezanove, aos vinte e aos vinte e um anos... "Vale mais experimentá-lo que julgá-lo mas julgue-o quem não puder experimentálo".

Aniceto Carvalho

AS FALÉSIAS BRANCAS DE DOVER

THE WHITE CLIFFS OF DOVER

Porque ainda hoje é uma superior canção, sobretudo pelo que representa na velha Albion, porque a Vera Lynn foi considerada uma das vozes mais bem timbradas de todos os tempos nas  Ilhas Britânicas, porque foi uma estrela da minha juventude.

(Em contraste com o esquecimento e má vontade da ilustre classe artística deste país que tem vergonha e medo de dizer que actuou para os seus combatentes).

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Aniceto Carvalho

CLUBES DA BASE AÉREA 6

CLUBES DA BASE AÉREA 6
Nunca em lugar algum onde vivam pessoas as obras ficam terminadas.
Desde sempre: Chaves na mão, trinta anos depois lá anda o velho morador a mudar de lava-loiça, a substituir os azulejos da casa de banho.
Seja uma quinta, uma povoação, uma modesta moradia.
Embora totalmente operacional na altura, em finais de Dezembro de 1953 o Centro de Aviação Naval Sacadura Cabral, a futura Base Aérea 6, estava nos acabamentos: Faltava terminar a construção de um edifício gémeo e simétrico ao inicial, refeitório, cozinha e sala de estar das praças da jovem unidade do Mar da Palha.
Foi o que encontrámos à chegada, foi o que estreámos com pompa e circunstância algum tempo depois como “propriedade” dos cabos especialistas: No primeiro andar um amplo espaço de esmerado asseio com mesas de mármore; no rés-do-chão um salão igual ao do piso superior, à espera de iniciativa, trabalho, criatividade e mãozinhas, o futuro clube dos cabos especialistas da Base Aérea 6.
Chegava gente vinda dos Açores, alguns mais antigos já conheciam, o modelo para o clube dos especialistas da Base Aérea 6 passou a ser o clube dos especialistas da Base Aérea 4… na verdade, com algum excesso de entusiasmo e presunção, o clube dos aviadores americanos na Base das Lages.
No fim, pelo que se viu depois, luxos americanos e nada mais.
Nós fizemos o melhor que sabíamos. Elegemos a direcção, a quotização passou a ser oficial e obrigatoriamente descontada no fim do mês, não foi muito difícil resolver as reticências dos marujos em frequentarem ou não o mesmo espaço de lazer dos especialistas: Quotizavam-se ou não, era com eles. Uns aderiram outros não, o Ferrer achou a ideia razoável, o clube abriu algum tempo depois.
Um amplo salão, discretamente mobilado com o que havia, mesas, cadeiras, dois ou três maples, o som extraordinário de um rádio de salão da época, um local de salutar convívio, um retiro de gente simples e educada…
O resto veio depois, pouco a pouco: A seguir com um pequeno bar no exterior logo à entrada, de reduzido interesse e curta duração, depois substituído por um bazar, muito mais útil para o clube e para os utentes; como melhor bem estar, no entanto, exigia melhoramentos, com a instalação de uma divisória destinada ao recato da televisão, embora longe das “americanices do início”, até ao fim de 1960 as condições de conforto do Clube de Especialistas da Base Aérea 6 eram do melhor
Unidade jovem, juventude e generosidade, toda a gente queria aproveitar o que tinha à mão: A dois passos, meio escondido entre as acácias, debruçado de perto no Mar da Palha, o clube de sargentos estava em ebulição.
E o Zé Bragança, claro, à frente das hostes.
Entrei na classe de sargentos uns anos depois.
O clube de sargentos não ganhava nem perdia ao dos especialistas.
Num edifício mais sóbrio, mais de acordo com a respectiva categoria, funcionava uma esmerada messe no rés-do-chão, um soberbo bar ao cimo da escada, de onde se entrava no clube: Um amplo salão onde se descontraía, se jogava às cartas ou descansava no sessego de um gabinete, onde de uma pequena mas bem apetrechada biblioteca se podia ler o Aquilino Ribeiro ou o Ferreira de Castro.

NOTA IMPORTANTE: Estávamos nos anos 50 do Século XX
Aniceto Carvalho

EU ESTAVA LÁ

Capacetes? Nunca foram usados. Apenas no primeiro Alouette II, em 1957, na Base Aérea 6, logo posto de parte por muito incómodo. Aqui terá sido para a fotografia. Na Esquadra 94, no meu tempo, até ao fim da minha primeira comissão, e depois, pelo menos até 1970, nunca ninguém usou capacete nos helicópteros.

Era brutalmente incómodo, ninguém queria usar aquilo.

Do meu tempo, talvez um ou dois anos antes, reconheço daqui o Teixeira, atrás do narrador, o Rego de Sousa, à direita daquele, e o Manuel Catalão, a seguir.

Isto terá sido em 1966, ou depois. O capitão Alves Pereira, que tinha assumido o comando da Esquadra 94 em 64, pelos vistos já não era ele o comandante. 

Aniceto Carvalho