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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

A toca do Fernando

A Toca do Fernando
(Tributo a um antigo camarada de armas)
Se não conhecem, nunca ouviram, nem fazem ideia de onde eu descobri esta obra prima, saibam que é o “Hernando’s hideaway”, (A toca do Fernando), um engraçado tango dos meados dos anos 50 do Século XX. Não é uma obra musical por aí além, como se pode ver...
Aqui, contudo, (como nós a ouvíamos no original), é um tributo ao Fernando Pereira, piloto da minha incorporação, e às horas seguidas que passámos os dois em frente do rádio do Clube de Especialistas da Base Aérea 6 para ouvir este tango que ele adorava.
Por ter o nome dele, claro está... eu, porque éramos amigos.
Do seu curso a passar pela Base Aérea 6 nos primeiros tempos como piloto, o Fernando foi dos poucos a ficar na unidade do Montijo.
Seguimos o nosso caminho, só nos voltámos a encontrar em 1981.
Da minha idade, pouco mais, o Fernando estava um bocado envelhecido, até bastante curvado, ainda antes dos cinquenta, penso que pela espondilose.

Mas era o mesmo: Do mais puro que encontrei na vida.
Entretanto, enquanto o Fernando se deliciava com “A toca do Fernando”, a Fatinha, uma jovem sabidona, era artista numa casa de etc., e tal no Afonsoeiro, uma terra satélite do Montijo.
Um dia o Fernando deixou em descanso “A toca do Fernando”, foi dar uma volta lá para os lados onde a Fatinha exercia a actividade. Sem nada de jeito para fazer, eu fui com ele.

A Fatinha era, de facto bastante engraçadinha, muito jovem, teria os seus dezassete anos, no decorrer dos finalmente despertou no aviador os sentimentos protectores de donzelas. No meio de um dilúvio de lágrimas contou no ombro do Fernando a sua pouca e triste sorte.
O pilotaço tinha um coração de manteiga, a Fatinha chorava muito, até à minha frente agarrada ao ombro do Fernando. Um drama! O Fernando sucumbiu. Foi por uma unha negra que o aviador não virou o Montijo de pantanas para salvar a donzela das garras da má fortuna.
Foi então que um passarinho disse à Fatinha que a brincadeira com o aviador podia sair-lhe cara e levá-la a esfregar casas... De mansinho deu com os pés no salvador.
O Fernando ficou com um melãozito. Nada de muito grande.
Eu acho que ainda fiquei pior. Zangado mesmo. Não achei graça nenhuma à históriao... mas pelo menos serviu-me de emenda para outras lides futuras com gado bravo.
Aniceto Carvalho