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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

João de Ameida Torto

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João de Almeida Torto 

João Almeida Torto era enfermeiro do hospital de Sto. António em Viseu, sendo também barbeiro com carta de sangrador, astrólogo e mestre de primeiras letras, sendo um personagem tão fanfarrão como audacioso.

Anunciou publicamente que, a 20 de Junho de 1540, iria voar com asas da Torre da Sé ao campo de S. Mateus.

As asas eram de pano forte e duplo, duas de cada lado, sendo mais pequenas as asas inferiores, parecidas com as das aves. Estas duas asas eram ligadas por três argolas de ferro, enchumaçadas com trapos, e era através delas que mestre Torto metia os braços. O mecanismo era ligado na parte superior por duas dobradiças de ferro e na parte inferior por um cinto de cabedal. Os sapatos eram de solas tríplices, com estrutura amortecedora, levando ainda um barrete em feitio de cabeça de pássaro.

No dia aprazado, era grande a assistência. João Torto subiu à torre da Sé, içou o seu aparelho com a ajuda de uma corda e de lá se lançou. O voo correu bem até determinado ponto, mas, extemporaneamente, uma das asas deixou de funcionar e o barrete caiu-lhe sobre os olhos. Descreveu um arco descendente, caindo em pé na capela de S.Luís, mas logo dali caiu, ficando inanimado sobre as asas, em muito mau estado. Voltou a si duas horas depois, mas faleceu logo após.

Não era ainda por esta via que o homem conquistaria o ar.

Militares de antigamente

(De Aviadores em Terra)

O sargento Moreno era do Minho: De um concelho próximo de Guimarães, de uma terra bem conhecida pela famosa “justiça de Fafe”.

O sargento Moreno, no entanto, era um “gajo porreiríssimo”.

Tempos antes, um indivíduo lá da terra tinha-lhe ameaçado o pai, chegara mesmo ao cúmulo de levar longe de mais a ameaça.

O sargento Moreno meteu-se a caminho.

Quando regressou à unidade, tinha deixado o conterrâneo no hospital “em frangalhos”; mas tinha também uma participação das autoridades locais em cima da secretário do gabinete do comandante.

O “Faísca”, o comandante, contudo, conhecia bem o Moreno. Passou-lhe o necessário correctivo, respondeu às autoridades que tinham sido tomadas as medidas convenientes. Arquivou a participação e pensou para consigo:

“Quem é que não faria exactamente a mesma coisa?...”

Aniceto Carvalho

Acrobacias de helicóptero

Clic para ver:

Falando de helicópteros - Máquinas Voadoras

Com o primeiro chegado à Base Aérea 6 em Junho de 57 e os outros dois em Janeiro do ano seguinte, no princípio com dois, depois com três, quatro e até cinco pilotos, até 1961 os três Alouette II nunca mais pararam.
Embora dentro do razoável nunca ouvi falar em deixar de voar por falta de combustível, de horas de voo, dessas misérias do Século XXI.
Nós sabíamos tudo o que era proibido e facilitado.
Embora as zonas de treino fossem bem recomendadas e a vadiagem e os abusos punidos, era tão comum aterrar numa quinta da baixa de Palmela e sair de lá carregado de melões, como passar uma hora numa praia fora das vistas, como ir provar a água-pé a casa de um amigo.
Era treino.
A sério, tão logo estávamos num festival em Braga, como a transportar altas individualidades, como no Estádio Nacional num jogo internacional da equipa militar portuguesa com uma congénere estrangeira.
Era treino. Os nossos pilotos voavam. Se voavam, tinham-no com fartura.
Voei de helicóptero mais doze anos depois de 1960. Ainda não vi ninguém tirar mais desempenho de um helicóptero do que esses pilotos de então.
Sem servo-comandos. (Os três primeiros helicópteros Alouette II da Força Força Aérea Portuguesa não tinham servo-comando).

Para terem uma ideia, tentem pilotar um Alouette III com o servo-comando desligado. Mas muito cuidado!!!... é perigosíssimo...

Aniceto Carvalho

P2V-5 - Neptuno

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Uma fotografia dos finais dos anos 50, princípios dos 60 do Século XX que vale por uma enciclopédia. (Na altura eu já estava nos helicópteros há muito, deve tratar-se por certo de tripulações dos P2V-5 - Neptuno).

Mesmo que nada tivesse que fazer no ar, pelo menos nos primeiros anos, eu gostava de andar pendurado. Por isso, quando me perguntaram se queria ser navegante nem pensei duas vezes... e foi para sempre.
Uma das coisas que nem me podia passar pela cabeça era ser mecânico de avião na Força Aérea e não dar umas voltinhas de vez em quando.
Como era só a reinar, e visto que estava de abalada para Angola, não tive muita oportunidade para voar no Neptuno. Mesmo assim ainda voei nele umas três ou quatro vezes. Mesmo no biquinho lá na frente.
O P2V-5 tinha uma manobra evasiva engraçada, “meter spoilers”: O avião ia a voar à velocidade nornal de cruzeiro, (o P2V-5 andava muito bem), de repente fazia 180º, ficava a voar em sentido contrário.

É claro que o comandante avisava sempre para toda a gente se amarrar bem... senão ficavam todos espalhados pelo ar.

(Os aleijadimhos, coitadinhos, que com todas as facilidades nunca foram capazes de fazer nada é que não gostam de ver coisas destas).

Aniceto Carvalho

Parece um conto de fadas

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Tinha chegado há pouco a Tete, estava a tentar ambientar-me, precisava de me distrair, vi numa montra um extraordinário rádio Gira Discos. Duas possantes colunas independentes de 20 W cada, tinha um som que nunca mais acabava. Era o que eu precisava. Nem pensei duas vezes. Comprei uns Ray Conniff, James Last, etc., nunca mais ninguém descansou.

Veio a Passagem do Ano de 70 para 71, eu e o Marta metemos aquilo no Tripacer fomos fazer um baile ao Songo, aos Serviços de Fislização do Gabinete do Plano do Zambeze, que foi um verdadeiro sucesso.
No ano seguinte, de 1971 para 72, mobilizei o Navajo para transportar a "orquestra" e a família, combinei com o Oliveira Marques para pilotar o avião, fui repetir o baile do ano anterior.

O Songo estava todo fechado com nevoeiro, o Oliveira Marques teve de subir a encosta da serra aos zig zags para lá chegar, o baile foi um fiasco comparado com o do ano anterior.

Não se admirem que haja alguém que não acredite nisto... se eu estivesse no lugar de algumas pessoas, se calhar também não acreditava.

Mas foi verdadinha, podem crer.

Aniceto Carvalho

Sem cagança nem penacho

SEM CAGANÇA NEM PENACHO

Eu fui mecânico de avião. Não fui piloto, não fui técnico de aeronaves, nem nada dessas profissões que mudam de nome para terem classe.

Fui mecânico de avião, sim… De fato macaco, nunca trabalhei de luvas, não usei protecções para os ouvidos, mas conhecia todos os parafusos dos aparelhos em que trabalhei e todas as ferramentas da minha profissão.

Reparava aviões e helicópteros para poderem andar pelo ar… ao fim e ao cabo, a única razão porque todos os outros estavam na aviação.

Fui “SÓ” mecânico de avião… mas se então houvesse uma selecção nacional de mecânicos de avião, eu tinha sido seleccionado durante vinte anos.

E já agora, também é verdade: Ninguém me gaba melhor do que eu.

(Tudo isto anda perto da verdade. Mas, sei lá porquê, algum passarinho me terá dito para eu nunca o dar a entender, que a crista me ficava mal... no fim o que fazem os que não precisam de mostrar mais do que são).

Aniceto Carvalho

A perninha que eu fazia

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Clic para ver: - https://en.wikipedia.org/wiki/Avro_Shackleton

Não sei se é saudosismo, nostalgia, ou seja lá o que for... mas as máquinas voadoras dos velhos tempos eram verdadeiras maravilhas.

- Completamente de acordo - responderam-me. E acrecentaram - Por isso é que existe um grande negócio de restauro e operação de "warbirds".

Já passou, que pena!!! Para um mecânico de aviões que nunca usou luvas a trabalhar, a perninha que eu não fazia agora!!!

Aniceto Carvalho

Foto faladora

Descrição: Primeiro Aniversário da Força Aérea Portuguesa.

Base Aérea 1 - uma unidade de treino.

Não se admirem com o número de aviões da imagem no ar: Estamos

nos princípios/meados dos anos 50 do Seculo XX).

A Senhora da Nazaré e os pilotos da Força Aérea Portuguesa.
Um poema de uns jograis lisboetas da época:
Na praia da Nazaré,
Houve um grande burburinho,
As banhistas de roupão,
O Dom Fuas de Roupinho.
Para as centenas de jovens que se apanharam com um avião nas mãos

aos 18 anos de idade nos meados do Século XX, o número de acidentes

por paródia, negligência ou indisciplina foi totalmente irrisório.

Como seria hoje?
Uma das brincadeiras da altura era na praia da Nazaré.
O piloto vinha pela praia fora a rapar direito ao morro, puxava sempre

no´último momento, o mais tarde que lhe dava na bolha, depois levava

o resto da subida com o credo na boca, a rezar à Senhora da Nazaré e

com suores frios a aguentar a velocidade até passar por cima do Sítio.

Não me lembro se por isso houve algum acidente. Penso que não.

A Nossa Senhora da Nazaré e a Nossa Senhora do Ar eram, por certo,

grandes amigas. Para quem não saiba a "diversão" era quase como

jogar à roleta russa: Se durante a subida alguma coisa corresse mal

que fizessa o avião perder a sustentação, o piloto não podia aterrar

em frente, não podia dar a volta, o estampanço era inevitável.
Aniceto Carvalho

Panorama inimaginável

Panorama inimaginável

Com este pomposo título e uns vibrantes adjectivos a condizer, publicou

por aí alguém um vídeo de um salvamento por um moderno helicóptero da

Força Aérea Portuguesa. Terá por acaso o ilustrado autor do "Panorama

inimaginável" alguma vez ouvido falar nos milhares de evacuações por

Alouette III, de feridos e mortos na Guerra do Ultramar?

Clic e veja:

Pouso de helícóptero com trem danificado

Façanha nunca vista anterior ao Século XXI que, com este helicóptero da imagem - um Sikorsky, UH-19 - já eu fazia em 4 de Outubro de 1959.

Clic para confirmar: - Sikorsky UH-19

Achegas para clarificar: Ao contrário do que poderá transparecer de várias leituras, este helicóptero não foi abatido após o acidente de 4 de Outubro de 1959 na inauguração da Base Aérea 5 - Monte Real.

Depois de reparado nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, Alverca, este helicóptero esteve em Sagres no 5º. Centenãrio da Morte do Infante D. Henrique no dia 6 de Agosto de 1960; e no dia 19 do mês seguinte, a levar-me um jogo de pás para eu substituir no rotor de cauda do Aloutte II, do qual eu era mecânico, que não me estavam a dar confiança.

Aniceto Carvalho

Thunderbolt P-47

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Curiosidades aeronáuticas que não se sabem:

O principal depósito de gasolina deste avião era um "barril" em toda a secção da fuselagem mesmo à frente da cabine de pilotagem.

Psicologicamente, acho eu, devia ser altamente repousante.

Dito de outra maneira: Todo o avião num metro à frente do lugar do piloto era um depósito de gasolina. (Pormenor: Não era JP4... era mesmo gasolina)

Aniceto Carvalho.

A melhor profissão do mundo

A melhor profissão do mundo

Embora razoavelmente bem paga, a melhor profissão do mundo não tem de ser necessariamente aquela onde se ganha mais dinheiro. E quem pensar na carreira de mecânico de avião para ganhar muito dinheiro é melhor desistir antes de começar.

Informe-se muito bem com profissonais idóneos e experientes do ramo, siga para mecânico de avião se tiver a certeza de que é o que quer.

Tenha presente: Você pode ser um profissional normal em muitas rofissões, em mecânico de avião você tem de se sentir pelo menos a 75% do topo da craveira. E isso você tem de o conquistar.

Se após três ou qustro anos a trabalhar como "mecânico de aviões" você já chegou à conclusão que o avião não encosta à beira da estrada quando as coisas correm menos bem, não se apresse: Pare um bocadinho para escolher a maneira de viver a profissão que melhor se encaixa na sua maneira de ser. É altamente importante: Você pode ser um mecânico de ar condidionado, um lugar quase sagrado, a reparar componentes, a entrar às nove e a sair às cinco, onde só vê a luz do dia quando espreitar à porta; pode optar optar por mecãnico de manutenção que hoje trabalha nos motores, amanhã na célula, um dia depois no trèm de aterragem... ou, mais para helicópteros, pode decidir por esta última com uns destacamentos com as mãquinas.

Quanto a certificados, convém saber que gavetas a transcordar de papeis não apertam parafusos. E nem sempre estão nas melhores mãos.

É uma boa profissão. Como tal não está imune a alguns cancros.

E pelo amor de Deus... Enquanto não tiver a certeza que sabe a lguma coisa da profissão, saber, como por exemplo, como funciona um servo-comando, não veja na televisão programas sobre acidentes aéreos.

Aniceto Carvalho

Fotografias faladoras

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Uma fotografia da frota Chipmunk na Base Aérea de São Jacinto, em 1959, com a Ria de Aveiro como fundo. Unidade de treino.

Aniceto Carvalho

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A meio da segunda metade dos anos 50 do Século XX.

Como se vê, só aviões de treino, só da Base Aérea 1 - Sintra.

Só esta unidade de treino tinha mais aviões do que tem hoje toda

a Força Aérea Portuguesa com o triplo dos efectivos humanos.

Aniceto Carvalho

O País dos racistas

O meu país esteve em África, durante quinhentos anos.
Nós, os portugueses, convivemos e vivemos com os mais variados povos de África, Ásia, Oceânia e Américas; todos nos aceitaram com esmero e afeição que sempre respeitámos, fomos respeitados, por lá cruzámos várias raças.

Agora, eis que nos aparecem umas imberbes criaturas acolitadas em pseudo partidos ditos de esquerda, a quererem ensinar-nos a conviver com gentes de latitudes e longitudes que eles nem sonham onde ficam.
Não será o constante massacre sobre esta matéria só por si uma inequívoca forma de racismo? Claro que é… Nem é preciso ser doutor.
Sim, é um facto flagrante:
Há 40 anos que nós andamos a aprender com iluminados de cueiros que não sabem a diferença entre uma galinha e uma couve flor o que nós estávamos fartos de tarimbar há 65 anos atrás com 17 anos de idade.
Aniceto Carvalho

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