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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

Combatentes de avenida

COMBATENTES DE AVENIDA

Eu nunca quis lutar de armas na mão por nada nem por ninguém... Quando foi preciso. no entanto, peguei na trouxa e fui para a guerra pelo meu país... Não fiquei por aí de boina à Guevara e braço no ar a barafustar palavras de ordem avenida abaixo avenida acima, a querer exibir valentias que não tinha, a viver em casa dos pais, à  conta do trabalho e sacrifí­cio dos outros.

Aniceto Carvalho

Spitfire MK-XVI

Este menino, do meu tempo, merece-me uma palavrinha.

Além de ter sido um dos melhores aviões da Segunda Grande Guerra, o heroi da Batalha de Inglaterra, foi um avião extraordinariamente bem conceguido, o melhor de todos no seu tempo.  A então Aeronáutica Militar, depois Força Aérea Portuguesa teve 112 destes aparelhos  

Quem nunca fez não sabe fazer

Rosas e espinhos - marcas do tempo

À direita é o "Cadillac do Céu", o Mustang - P-51, o melhor avião de caça clássico de sempre. A Aviação Portuguesa nunca teve este avião. 

Mustantang - P-51 (O Cadillac do Céu)

 

Era sempre a mesma coisa: Motores enormes, potentíssimos, cilindradas descomunais, (o motor do Spitfire tem 12 cilindros, o do Helldiver 14 e o do Thunderbolt 18), era um gemer de engrenagens uma bateria a pedir piedade para fazer rodar um brinquedo daqueles.

A injecção de gasolina para o arranque era a olho, três ou quatro bombadas, alguns davam-lhe cinco e seis e encharcavam logo os motores, depois eram rolos de fumo a lamber a cabine com um parolo lá dentro sem saber de devia fugir ou aguentar a pá firme até o motor arrancar.

O truque.

Acelerador a fundo, em vez dos dois centímetros recomendados; mistura fechada com a manete toda atrás, e não o habitual centímetro à frente; três bombadas mal medidas, accionava o motor de arranque.

O hélice nem chegava a uma volta. Com o motor quase totalmente seco, com os cilindros cheios de vapor de gasolina e nada mais, com as goelas do acelerador todas abertas, o Wright Cyclone não fazia cerimónia: Explodia no máximo de rotações, parava a seguir sem pingo de combustível… Com o hélice a rodar a toda a velocidade já eu lhe tinha aberto a mistura, reduzido o acelerador, já o motor ronronava como um gatinho.

Até regressarem a Aveiro nos finais de 1956 nunca mais nenhum Helldiver deixou de arrancar logo à primeira nas minhas mãos.

Quem nunca fez não sabe fazer.. o resto é música 

Aniceto Carvalho

(Continua)

A toca do Fernando

A Toca do Fernando
(Tributo a um antigo camarada de armas)
Se não conhecem, nunca ouviram, nem fazem ideia de onde eu descobri esta obra prima, saibam que é o “Hernando’s hideaway”, (A toca do Fernando), um engraçado tango dos meados dos anos 50 do Século XX. Não é uma obra musical por aí além, como se pode ver...
Aqui, contudo, (como nós a ouvíamos no original), é um tributo ao Fernando Pereira, piloto da minha incorporação, e às horas seguidas que passámos os dois em frente do rádio do Clube de Especialistas da Base Aérea 6 para ouvir este tango que ele adorava.
Por ter o nome dele, claro está... eu, porque éramos amigos.
Do seu curso a passar pela Base Aérea 6 nos primeiros tempos como piloto, o Fernando foi dos poucos a ficar na unidade do Montijo.
Seguimos o nosso caminho, só nos voltámos a encontrar em 1981.
Da minha idade, pouco mais, o Fernando estava um bocado envelhecido, até bastante curvado, ainda antes dos cinquenta, penso que pela espondilose.

Mas era o mesmo: Do mais puro que encontrei na vida.
Entretanto, enquanto o Fernando se deliciava com “A toca do Fernando”, a Fatinha, uma jovem sabidona, era artista numa casa de etc., e tal no Afonsoeiro, uma terra satélite do Montijo.
Um dia o Fernando deixou em descanso “A toca do Fernando”, foi dar uma volta lá para os lados onde a Fatinha exercia a actividade. Sem nada de jeito para fazer, eu fui com ele.

A Fatinha era, de facto bastante engraçadinha, muito jovem, teria os seus dezassete anos, no decorrer dos finalmente despertou no aviador os sentimentos protectores de donzelas. No meio de um dilúvio de lágrimas contou no ombro do Fernando a sua pouca e triste sorte.
O pilotaço tinha um coração de manteiga, a Fatinha chorava muito, até à minha frente agarrada ao ombro do Fernando. Um drama! O Fernando sucumbiu. Foi por uma unha negra que o aviador não virou o Montijo de pantanas para salvar a donzela das garras da má fortuna.
Foi então que um passarinho disse à Fatinha que a brincadeira com o aviador podia sair-lhe cara e levá-la a esfregar casas... De mansinho deu com os pés no salvador.
O Fernando ficou com um melãozito. Nada de muito grande.
Eu acho que ainda fiquei pior. Zangado mesmo. Não achei graça nenhuma à históriao... mas pelo menos serviu-me de emenda para outras lides futuras com gado bravo.
Aniceto Carvalho

Força Aérea Portuguesa

Força Aérea Portuguesa

Clic e veja: - Anos de Ouro do Século XX

Também: - Outros tempos outros ventos

Mas não faça comparações...  

Isto é uma pequena amostra de outros tempos. 

Julgo estar a celebrar-se o 66º. Aniversário da Força Aérea Poruguesa, da qual fiz parte quase vinte anos com dez na Guerra do Ultramar.

Estava a ver o evento na televisão, sei lá porquê, lembrei-me do Segundo Aniversário, em 1955 quando,  só de uma unidade, da Base Aérea 2, a então jovem arma perdeu duas formações de quatro aviões cada, F-84, e oito vidas, de dezenas de aparelhos que andabvam no ar. 

Mas repito: Não façam comparações.  

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Aniceto Carvalho