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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

Nacala 1968

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Nacala, Moçambique, 1968. O meu filho com um soldado da Polícia Aérea

Uma esquadrilha de Canberras, julgo rodezianos, de visita ao Aeródromo Base 5

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Nacala, Moçambique, 1968, da esquerda para a direita: O Lourenço, o Espinheira, o Coelho,

(no alto, a trabalhar), o Domingos, eu, o Aniceto, e o Rodrigues. 

Alguns elementos  da melhor equipa de trabalho que encontrei em toda a vida.

Aniceto Carvalho

Cozinhas de Nacala

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"Uma imagem vale por mil palavras"... Não é o que se diz por aí?

Pois vejam. Alguém faz alguma ideia do que isto seja? Pois não... mas eu vou explicar:

Isto é a cozinha do Aeródromo Base 5 em Nacala, Moçambique, em princípios de 1967, quando lá cheguei. Os "luxuosos alojamentos" de sargentos eram um barracão de 200 metros quadrados de camas ao lado umas das outras, e... mais nada. Higiene, banho, etc. era na rua...

E o então chamado banho macua, era com um balde de água pela cabeça abaixo.

A água até então encontrada na unidade era tão salobra que nem para o banho dava... A potável era transportadas em tambores de uma nascente na Praia dos Tesos.

Mulheres na tropa, não é?... Eu querie ver... 

E mais umas coisitas...  quando calhar,

Aniceto Carvalho 

46 anos depois

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Em 2014.  Gente do Alouette III, Nacala, Moçambique, de 1968, 46 anos depois.

Em frente, um dos pilotos da esquadra, o alferes Pinto. Os restantes aqui presentes, são alguns dos então jovens de vinte e poucos anos que na altura tinham de me aturar. 

GENTE DO MELHOR QUE ENCONTREI NA VIDA. 

Aniceto Carvalho

Preito a um aviador

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Rui Jofre Soares Dias Ferreira

Piloto Aviador da Força Aérea

(Preito de Elsa Dias Ferreira à  memória do seu pai).

Nasceu, a 21 de Junho de 1942, em São Lourenço, Portalegre, onde passou a infância. Aos 18 anos ingressou na Força Aérea Portuguesa onde completou o curso elementar de pilotagem, em Aveiro, passou por Sintra e foi colocado na BA3, de Tancos, em Maio de 1962.

Em 1964, foi destacado para Angola, com a patente de Furriel.

Em Luanda, na Base Aérea 9 pilotou uns aviões bombardeiros bimotores que, afirmava, "tossiam por todos os lados", os PV-2. Também lá tirou o curso de helicópteros e foi um dos pioneiros do Curso de Pára-quedismo Civil, o primeiro curso em território português, em 1965, chegando mesmo a ser o vencedor do 1º. Torneio de Pára-quedismo desportivo em Angola.

Durante a guerra, era dos pouco que arriscava voar à noite para evacuar os feridos na mata, o que o fez salvar algumas vidas. Uma vez, vários anos após a guerra, enquanto passeava nas ruas de Lisboa, um homem aproximou-se dele e abraçou-o, mas ao perceber o desconforto o homem disse: então não se lembra de mim? Você salvou-me a vida em Angola.

De volta a Tancos, em 1967 leu num panfleto que a banda filarmónica de Portalegre ia actuar numa festa nas Limeiras e decidiu ir lá matar saudades. Nesse dia em que actuava também a acordeonista de Constância Tina Pereira e ali se conheceram.

Casaram, na Igreja Matriz de Constância, a 27 de Julho de 1968.

Regressou a Angola mas, em 1970, estava em Portugal para o nascimento da primeira filha, Elsa Dias Ferreira. Tendo regressado a Angola, com a família, de seguida.

Em 1974, foi promovido a oficial. Devido a vários actos de coragem  foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª.  Classe pelo General Spí­nola.

Nesse mesmo ano, deu-se a revolução do 25 de Abril.

No dia em que fazia 32 anos, nasceu, em Tomar, a segunda filha, Sara Dias Ferreira.
Em 1975, fundou o Clube Estrela Verde de Constância, sendo seu dirigente durante 10 anos.

E foi um dos fundadores do esquadrão acrobático de helicópteros, Alouette 3, "Rotores de Portugal". Começaram com apenas dois helicópteros, Al3, e em 93/94 passam a ter três.

Em 1983, na época de verão, ano em que combatia incêndios na Sertã, salvou diversos bombeiros, incluindo o comandante, ao resgatá-los, com o helicóptero do meio das chamas.

Por esse feito recebeu uma alta condecoração, a Medalha de Ouro por Serviços Distintos, pela Liga dos Bombeiros Portugueses.

Em 1984, ao fim de 26 anos de serviço em que desempenhou funções como Comandante de Esquadra, Oficial de Operações de Esquadra e Oficial de Operaações de Grupo Operacional, entrou na reserva territorial, mas continuou a pilotar helicópteros no combate a incêndios. Emigrou depois para Angola onde desempenhou funções como Piloto Chefe na Diamang, Director de Instrução da Forçaa Aérea Angolana, Director de Operações de Voo na Acro-norte.

Nos anos 90 integrou um livro da Câmara Municipal de Constância de poetas populares.

Em 1993 entrou na Universidade Internacional de Abrantes para tirar o curso de gestão. Faleceu a 21 Abril de 1999, com 56 anos, num acidente de aviaação em S. João da Madeira.

Está enterrado no cemitério de Portalegre, terra que o viu nascer.

(Elsa Jofre Ferreira) 

RECONHECIMENTO

Marcello Caetano

DEPOIMENTO

CAPITULO VI - AS FORÇAS ARMADAS

Depois de dez páginas sobre o Exército e Marinha (altos comandos).

"Quanto à Força Aérea, o seu papel nas operações anti-subversivas foi da maior relevância:

Transportando tropas, abastecendo guarnições, procedendo a reconhecimentos, evacuando feridos, apoiando acções em terra, bombardeando posições fortificadas do inimigo.

Com aviões velhos e cansados que só milagres de manutenção conseguiam sustentar no ar sem acidentes de maior e com uma frota razoável de helicópteros, a Força Aérea Portuguesa obrou prodígios, deu segurança e moral às tropas terrestres e manteve em respeito o inimigo.

Os seus excelentes oficiais não mostraram por regra sinais de desfalecimento no cumprimento dos seus deveres, embora tivessem também razões para estar fatigados... E quando, na Guiné surgiram inesperadamente nas mãos  do inimigo os mí­sseis terra-ar que em dias nos derrubaram cinco aviões, foi admirável a forma como, sob o impulso de um comandante valoroso, a Força Aérea reagiu, não abandonando o céu nem faltando aos camaradas de terra com o apoio precioso, e graças a uma apida adaptação à  situação  mediante a adopção da ráctica adequada.

E mais umas coisitas para dizer a seu tempo... Por quem viveu tudo isto de perto.

iremos, quando e se houver tempo e disposição para continuar.

Aniceto Carvalho