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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

CLUBES DA BASE AÉREA 6

CLUBES DA BASE AÉREA 6
Nunca em lugar algum onde vivam pessoas as obras ficam terminadas.
Desde sempre: Chaves na mão, trinta anos depois lá anda o velho morador a mudar de lava-loiça, a substituir os azulejos da casa de banho.
Seja uma quinta, uma povoação, uma modesta moradia.
Embora totalmente operacional na altura, em finais de Dezembro de 1953 o Centro de Aviação Naval Sacadura Cabral, a futura Base Aérea 6, estava nos acabamentos: Faltava terminar a construção de um edifício gémeo e simétrico ao inicial, refeitório, cozinha e sala de estar das praças da jovem unidade do Mar da Palha.
Foi o que encontrámos à chegada, foi o que estreámos com pompa e circunstância algum tempo depois como “propriedade” dos cabos especialistas: No primeiro andar um amplo espaço de esmerado asseio com mesas de mármore; no rés-do-chão um salão igual ao do piso superior, à espera de iniciativa, trabalho, criatividade e mãozinhas, o futuro clube dos cabos especialistas da Base Aérea 6.
Chegava gente vinda dos Açores, alguns mais antigos já conheciam, o modelo para o clube dos especialistas da Base Aérea 6 passou a ser o clube dos especialistas da Base Aérea 4… na verdade, com algum excesso de entusiasmo e presunção, o clube dos aviadores americanos na Base das Lages.
No fim, pelo que se viu depois, luxos americanos e nada mais.
Nós fizemos o melhor que sabíamos. Elegemos a direcção, a quotização passou a ser oficial e obrigatoriamente descontada no fim do mês, não foi muito difícil resolver as reticências dos marujos em frequentarem ou não o mesmo espaço de lazer dos especialistas: Quotizavam-se ou não, era com eles. Uns aderiram outros não, o Ferrer achou a ideia razoável, o clube abriu algum tempo depois.
Um amplo salão, discretamente mobilado com o que havia, mesas, cadeiras, dois ou três maples, o som extraordinário de um rádio de salão da época, um local de salutar convívio, um retiro de gente simples e educada…
O resto veio depois, pouco a pouco: A seguir com um pequeno bar no exterior logo à entrada, de reduzido interesse e curta duração, depois substituído por um bazar, muito mais útil para o clube e para os utentes; como melhor bem estar, no entanto, exigia melhoramentos, com a instalação de uma divisória destinada ao recato da televisão, embora longe das “americanices do início”, até ao fim de 1960 as condições de conforto do Clube de Especialistas da Base Aérea 6 eram do melhor
Unidade jovem, juventude e generosidade, toda a gente queria aproveitar o que tinha à mão: A dois passos, meio escondido entre as acácias, debruçado de perto no Mar da Palha, o clube de sargentos estava em ebulição.
E o Zé Bragança, claro, à frente das hostes.
Entrei na classe de sargentos uns anos depois.
O clube de sargentos não ganhava nem perdia ao dos especialistas.
Num edifício mais sóbrio, mais de acordo com a respectiva categoria, funcionava uma esmerada messe no rés-do-chão, um soberbo bar ao cimo da escada, de onde se entrava no clube: Um amplo salão onde se descontraía, se jogava às cartas ou descansava no sessego de um gabinete, onde de uma pequena mas bem apetrechada biblioteca se podia ler o Aquilino Ribeiro ou o Ferreira de Castro.

NOTA IMPORTANTE: Estávamos nos anos 50 do Século XX
Aniceto Carvalho