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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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Helicópteros - auto-rotação

Helicópteros - Auto-rotação

Auto-rotação é uma aterragem com o motor parado, normalmente muito comum no treino de pilotos de helicópteros da Força Aérea  

No meu tempo na Força Aérea havia pilotos de helicóptero, Nazaré e Rego de Sousa que, por norma, aterravam em auto-rotação.

Não tem perigo. Até porque, em treino, a auto-rotação é feita com o motor a trabalhar. (Importante é saber como se faz nas situações bicudas).

Embora não se veja bem, segundo a legenda, aqui é um desses casos.

Mais tarde noutras paragens, com outro pessoal, embora gente do melhor, mas que não tinham  sido pilotos de helicóptero na Força Aérea, fiquei com algumas dúvidas do treino que tinham em auto-rotação.

Não sei, nunca fiz auto-rotação no JetRanger. No entanto, eu tinha tanta confiança neste aparelho, em Deus, sei lá mais em quem, que levei dois anos um pouco desconfiado que alguns pilotos não sabiam fazer a auto-rotação em JetRanger e não me dava por dentro nem por fora.

Treino de auto-rotação em Bell JetRanger 206 A

O piloto que se vê no vídeo deve ser um instrutor. Em helicóptero o lugar do piloto é à direita. A propósito: Para quem entenda um bocadinho destas coisas, neste vídeo está bem exemplificado porquê.

(A seguir as auto-rotações do José Nazaré dos Santos Silva)

As auto-rotações do Nazaré

Eu conhecia o Nazaré há doze anos, desde quando ele tinha chegado à Base Aérea 6, em 1958, pouco depois da chegada dos primeiros Alouette II.

Foi colocado nos helicópteros. E assim, ele como o mais maçarico dos pilotos e eu dos mecânicos da “esquadra”, passámos a andar os dois por todo o lado, cada vez que um helicóptero era chamado a transportar o figurão a Lamego ou a dar ao rabinho em Sagres para mostrar as habilidades.

Com alguns bons bocados pelo meio, (quando eu tive de dançar com as duas miúdas, (irmãs), porque o Nazaré não sabia dançar, num baile particular para nós os quatro em São Romão; outros bem mais complicados quando o Alouette se incendiou no Aeródromo Base 1, na Portela, à minha frente com ele lá dentro sem que eu pudesse fazer alguma coisa), estivemos em Luanda, na Esquadra 94, andámos por lá, seguimos as nossas vidas.

O Nazaré tinha passado uma fase complicada com helicópteros. Nunca tinha sido grande adepto da asa rotativa, o acidente do AB1, embora sem ter deixado mazelas físicas, deixou-o sem vontade de voltar a voar naquilo.

A Guerra do Ultramar resolveu a questão.

Ficou por cá, acho que instrutor, co-piloto aqui e ali, acabou nomeado para um curso de Alouette III em França. O “trauma” do piloto português não passou despercebido ao instrutor francês… quando o Nazaré começou a voar na Esquadra 94, em Luanda, era um dos melhores pilotos portugueses de helicópteros, senão o melhor sem qualquer favor.

Só não o seria, porque não o queria ser, nem isso lhe interessava.

Conheci-o bem.

Voltamos a encontrar-nos na Base Aérea 3, em Tancos, na primeira metade de 1970. Éramos os dois “helicopteristas” com mais tarimba na unidade, e se calhar em toda a Força Aérea, conhecíamo-nos os dois de olhos fechados, a confiança profissional um no outro era ilimitada.

Ele como tenente, eu como sargento.

Sabe-se lá porquê, começámos a fazer todos os voos de experiência. Em geral, sozinhos. Por nada. Descolávamos, fazíamos os testes recomendados, íamos ver as miúdas. Uma hora e tal depois regressávamos lá pelas alturas à vertical da unidade. O Nazaré desligava o motor, vinha aterrar com toda a serenidade em frente do hangar sem que ninguém desse por isso.

Aniceto Carvalho