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Aviação Portuguesa - Blogue

A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

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A todos os mecânicos de avião do mundo... Ao meu curso: Novembro de 1953

Espelhos do tempo

ESPELHOS DO TEMPO

Com ajudas de custo sempre pagas tarde e a más horas, em 1958, que mal davam para as despesas, andava eu há oito dias lá pela Beira Alta, com namorada no Montijo, numa meia tarde de Sexta-Feira.

Nos preparativos de regresso ao Sul, não me surpreendeu que uma comitiva de altas patentes se aproximasse para visitar – julgava eu - a então ainda nova máquina voadora em acção. “Tudo bem” – pensei.

Tude bem, claro, não fosse o caso da madame do manda-chuva militar local, já com idade para saber que com coisas sérias não se brinca, fazer parte da comitiva para dar uma voltinha de helicóptero.

(Com coisas sérias não se brinca… nem com o trabalho dos outros).

 “Mau Maria!” – ruminei – “Que mal que isto me calha!”. 

Perante a proibição de transportar civis num helicóptero militar, para mais mulheres, e face ao aparatoso desfile de patentes, o jovem sargento piloto vacilava num dilema, não sabia o que havia de fazer.

Ocorreu-me de repente, dirigi-me à cauda do helicóptero. Precisava de dar uma vista de olhos mais apurada na inspecção antes do voo… Tal como eu desconfiava: A colagem das pás do rotor de cauda estava a dar de si:

Dei o helicóptero por inoperativo. E pronto.

Qual é o piloto que se arrisca a levantar voo com um aparelho dado como inoperativo pelo mecânico? O resto não tem história.

Se ainda não o sabia, fiquei a saber: Na aviação, sem o olho do mecânicos de avião por perto, não há voltinhas de avião para ninguém. 

Aniceto Carvalho